quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Política

Barcos-hospitais, Ronda nos Rios e serviços digitais compõem plano para o Amazonas

O Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas, apresentado por Omar Aziz, organiza propostas para os 62 municípios e foi elaborado por equipes multidisciplinares coordenadas por Durango Duarte.
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Barcos-hospitais, equipes itinerantes, telessaúde nos 62 municípios e a expansão do programa Ronda estão entre as propostas reunidas no Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas, apresentado pelo governador eleito Omar Aziz (PSD) como uma das bases de seu projeto de governo. O documento tem aproximadamente 1.742 páginas e foi elaborado por equipes multidisciplinares coordenadas pelo empresário, publicitário e pesquisador Durango Duarte.

Organizado em três volumes, o planejamento reúne diagnósticos, indicadores, metas e estratégias de execução para áreas como economia, saúde, educação, segurança pública, infraestrutura, assistência social, habitação, meio ambiente, tecnologia, inovação e desenvolvimento regional.

A proposta é estabelecer uma agenda que ultrapasse o período de um mandato. Omar Aziz foi eleito governador do Amazonas no domingo, 25 de outubro de 2026, ao lado da vice-governadora eleita Alessandra Campêlo. A nova gestão deverá assumir em janeiro de 2027.

Serviços para municípios do interior

Na área da saúde, o plano prevê a regionalização do atendimento, o fortalecimento dos polos regionais e a ampliação da telessaúde para os 62 municípios do Amazonas. O documento também menciona o uso de barcos-hospitais e de equipes itinerantes como parte da estratégia para ampliar a oferta de serviços.

As propostas estão associadas à necessidade de organizar a prestação de atendimento em um estado marcado pela distância entre a capital e os demais municípios. O planejamento apresentado, no entanto, estrutura diretrizes e ações para a próxima administração; a execução dependerá da definição de prioridades, da disponibilidade orçamentária e da capacidade dos órgãos estaduais.

Na segurança pública, o plano propõe a modernização do Ronda no Bairro e a ampliação do programa por meio do Ronda nos Municípios, Ronda nos Rios, Ronda Social e Ronda Digital. As iniciativas foram organizadas como parte de uma agenda voltada a diferentes territórios e modalidades de atendimento.

Para a assistência social, o programa Amazonas Forte Social prevê o fortalecimento da rede de proteção às famílias vulneráveis e a ampliação de oportunidades de autonomia econômica.

Três volumes de propostas

O primeiro volume concentra temas ligados à situação fiscal do estado, aos impactos da Reforma Tributária, à infraestrutura, à logística e à diversificação da economia. Também reúne diretrizes para o fortalecimento da Zona Franca de Manaus, a ampliação das atividades produtivas no interior, a bioeconomia, o turismo, a piscicultura, a fruticultura, a ciência e a tecnologia.

O conjunto de propostas parte da necessidade de ampliar a capacidade de investimento do Amazonas e reduzir desigualdades econômicas entre Manaus e os municípios do interior. A agenda econômica também relaciona desenvolvimento regional, inovação e aproveitamento de atividades produtivas com potencial de expansão no estado.

O segundo volume é dedicado à saúde, à segurança pública e à assistência social. Além das propostas de regionalização da saúde e de ampliação da telessaúde, o material aborda a estruturação dos serviços de segurança e o fortalecimento da proteção social.

O terceiro volume reúne educação, cultura, habitação, meio ambiente, políticas indigenistas, ciência, tecnologia e inovação. Entre as propostas estão o Pacto Estadual de Alfabetização, o fortalecimento do ensino médio, a expansão da educação profissional e tecnológica e a modernização dos serviços públicos por meio do programa Amazonas Digital e Inovador.

O documento também prevê o fortalecimento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam), além de políticas de valorização cultural e proteção dos povos indígenas.

Participação de especialistas

A elaboração do plano envolveu pesquisadores, professores, economistas, especialistas em políticas públicas, profissionais da administração e representantes de diferentes setores da sociedade. Também houve contribuições de entidades de classe, instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil e representantes do setor produtivo.

O segundo volume registra a participação direta de mais de 200 colaboradores. O terceiro menciona mais de uma centena de participantes. A coordenação ficou a cargo de Durango Duarte, que articulou equipes responsáveis por estudos, diagnósticos e propostas de diferentes áreas temáticas.

Os três volumes somam aproximadamente 1.742 páginas. A estrutura procura relacionar os problemas identificados às soluções propostas e aos mecanismos necessários para a implementação das ações.

O planejamento também incorpora temas como inteligência artificial, transformação digital, mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável e modernização da administração pública. A previsão é que as ações sejam acompanhadas por indicadores, metas e instrumentos de avaliação.

Outra diretriz do material é a continuidade das políticas públicas. As propostas foram organizadas com o objetivo de manter iniciativas em funcionamento mesmo diante de mudanças de governo.

Experiência em pesquisa e gestão

A participação de Durango Duarte na coordenação do plano está relacionada à sua trajetória profissional em pesquisas, comunicação, consultoria e gestão de projetos. Ao longo de mais de quatro décadas, ele atuou no setor empresarial, no mercado de pesquisas eleitorais e em trabalhos associados a administrações públicas.

Nascido em 11 de novembro de 1963, em Cachoeira do Sul, no Rio Grande do Sul, Durango chegou a Manaus em 1975. Foi na capital amazonense que construiu a maior parte de sua trajetória profissional e empresarial.

Sua formação inclui estudos em Engenharia, Matemática e Jornalismo na antiga Universidade do Amazonas, atual Universidade Federal do Amazonas (Ufam), além de graduação em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda, pelo Centro Universitário do Norte (Uninorte). Também realizou especializações em marketing, políticas públicas, governo, inovação e transformação digital.

A aproximação com a política ocorreu durante o movimento estudantil, na década de 1980, quando participou de mobilizações pela redemocratização do país e de atividades de representação universitária.

Relação profissional com Omar Aziz

A relação profissional entre Durango Duarte e Omar Aziz começou na década de 1980, quando ambos participavam da vida estudantil e política amazonense.

Em 1988, Durango foi convidado por Omar Aziz para assumir a direção executiva da Fundação de Apoio e Desenvolvimento Comunitário (Fundac). No mesmo ano, participou da primeira campanha eleitoral de Omar para a Câmara Municipal de Manaus.

Entre 1989 e 1990, atuou como consultor do então prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto. Posteriormente, desenvolveu trabalhos de consultoria associados a gestões estaduais de Amazonino Mendes, Eduardo Braga, Omar Aziz e Wilson Lima, além de administrações municipais.

Essas atividades envolveram comunicação institucional, planejamento governamental e políticas públicas. Entre as iniciativas associadas à sua trajetória estão o Ronda no Bairro, o Amazonas Digital, o Viver Melhor, a Cidade Universitária e o Bolsa Universidade.

Pesquisas eleitorais e atuação empresarial

Em 13 de julho de 1993, Durango fundou a Perspectiva Tecnologia da Informação, que posteriormente passou a atuar sob a marca Perspectiva Mercado e Opinião. A empresa realizou pesquisas eleitorais, estudos de mercado, levantamentos de opinião pública e análises sobre o comportamento dos consumidores.

A experiência com pesquisas havia começado em 1990, em trabalhos desenvolvidos com professores do Departamento de Estatística da Universidade do Amazonas. Naquele período, participou de iniciativas de acompanhamento e apuração eleitoral paralela, quando os recursos tecnológicos eram mais limitados e a totalização oficial dos resultados podia levar vários dias.

Segundo informações de sua trajetória profissional, a empresa desenvolveu mais de mil projetos de pesquisa, enquanto Durango acompanhou 22 eleições desde 1982. Ele também criou o Top of Mind, levantamento voltado à identificação das marcas e produtos mais lembrados pelos consumidores de Manaus.

Ao longo dos anos, suas atividades empresariais se expandiram para a comunicação e a tecnologia. Em 2009, fundou a The Voice, voltada à publicidade em painéis eletrônicos de LED. Em 2019, criou a iMarketing, com serviços de comunicação digital, marketing, pesquisas e monitoramento de informações.

Em 2021, fundou a Red Agency, do setor publicitário, e estruturou a DMD Holding para organizar suas atividades e participações empresariais.

Memória histórica e produção de conhecimento

Paralelamente às atividades empresariais e de consultoria, Durango desenvolveu trabalho de preservação da memória histórica do Amazonas. Em 2015, fundou o Instituto Durango Duarte (IDD), organização sem fins lucrativos dedicada à pesquisa, documentação e preservação de registros históricos.

Inaugurado oficialmente em abril de 2016, o instituto reúne jornais, fotografias, documentos e outras fontes relacionadas à história de Manaus, do Amazonas e do Brasil.

Durango também participou da publicação de obras sobre política, cultura, comunicação e história regional. Entre os trabalhos estão Informação é Tudo, de 2005; Manaus, entre o Passado e o Presente, de 2009; Imprensa Amazonense, de 2015; e Manaus 350 Anos, publicado em 2020.

Ele também participou de publicações relacionadas à história da Zona Franca de Manaus, ao ciclo da borracha e à preservação do patrimônio histórico da capital.

Próxima etapa será a execução

Com a eleição de Omar Aziz, o Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas passa a integrar o conjunto de referências técnicas disponíveis para a próxima administração estadual. O governador eleito retorna ao Executivo depois de ter administrado o estado entre 2010 e 2014. Alessandra Campêlo será a vice-governadora, primeira mulher eleita para o cargo no Amazonas.

A futura gestão terá de lidar com temas como reorganização administrativa, ampliação dos investimentos, melhoria dos serviços públicos e desenvolvimento dos municípios do interior. O plano apresenta propostas para essas áreas, mas a transformação dos diagnósticos em ações dependerá de prioridades, orçamento e articulação com municípios, União e setor produtivo.

A coordenação técnica reuniu a experiência de Durango em pesquisa, comunicação, consultoria, gestão e organização de informações com o trabalho de especialistas de diferentes áreas. O resultado é um planejamento que combina medidas para serviços públicos, desenvolvimento econômico, inovação e políticas sociais.